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Por que os médicos não estão engajados e o que os líderes devem fazer?

O envolvimento do corpo clínico é vital para melhorar a qualidade assistencial e a satisfação do paciente. No entanto, uma pesquisa realizada nos EUA, pela NEJM Catalyst Insights Council (da The New England Journal of Medicine/NEJM), identificou que metade das organizações de cuidados em saúde não estão conseguindo ser eficazes na tarefa de promover o engajamento dos médicos.

 

Segundo o levantamento, a melhor forma de envolver médicos (o estudo cita médicos e enfermeiros) é envolvê-los na tomada de decisões organizacionais, de acordo com 57% dos entrevistados. No entanto, a metade dos participantes da pesquisa considera as iniciativas promovidas pela liderança para envolver os médicos na tomada de decisões como “não muito eficazes” ou “ineficazes”.

 

“A pesquisa mostra um caminho claro a ser perseguido para envolver os médicos – mas [a indústria da saúde] não está conseguindo entregar isso”, diz o médico Dave A. Chokshi, Chefe de Saúde Populacional da NYC Health + Hospitals, de Nova Iorque (EUA). Os problemas de burnout nos EUA tem gerado desconfiança organizacional, diz Chokshi. Por este motivo é preciso gerar aumento de envolvimento.

 

Estratégia formal clara e bem comunicada

As organizações de saúde devem ter uma estratégia formal bem comunicada para serem compreendidas pelo corpo clínico, diz Swensen.

 

Os resultados da pesquisa mostram que há uma discrepância na forma como os executivos percebem seus esforços no engajamento clínico e como os clínicos os percebem. Por exemplo, muito mais executivos (55%) do que médicos (26%) indicam que sua organização possui uma estratégia formal para o engajamento clínico.

 

Medir o engajamento

Pouco mais de um terço dos membros da pesquisa Insights Council dizem que medir o engajamento clínico é uma prática de gestão em sua organização. “É difícil gerar responsabilidade se não houver medições subjacentes (em relação ao nível de engajemento)”, comenta Chokshi.

 

As organizações devem se certificar de que os líderes clínicos estão realmente engajados, diz Chokshi. Ele aponta exemplo do NYC Health + Hospitals. “Sob o trabalho de nosso novo CEO, tornou-se norma que qualquer pessoa em funções administrativas clínicas deve manter uma prática ativa”, diz ele. De acordo com ele, o benefício disso é que os líderes ficam próximos das linhas de frente e podem trazer um ponto de vista realista para as principais decisões. Por exemplo, sua organização está adotando um novo modelo de tele consulta entre a atenção primária e as especialidades. Os líderes clínicos devem estar engajados no processo desde o início, oferecendo não apenas as visões positivas, mas também alguns dos desafios que devem ser superados, juntamente com os relatos e feedbacks do impacto para o paciente. Este tipo de envolvimento por projeto é uma regra simples, mas que muitas organizações falham em seguir.

 

Então, como as organizações podem se mover em direção a um maior envolvimento do clínico na tomada de decisões estratégicas?

 

“Os modelos de liderança de díade (liderança conjunta dinâmica entre líderes administrativos e líderes clínicos) e tríade (modelo que acrescenta gestores de Enfermagem à liderança) funcionam bem na promoção do engajamento clínico e têm uma enorme vantagem na comunicação e na percepção de envolvimento na tomada das decisões estratégicas”, diz Swensen.

 

Chokshi acredita que é tarefa dos líderes da área gerencial “dar o primeiro passo em direção a um melhor engajamento clínico”, observando que os médicos/enfermeiros estão muitas vezes sobrecarregados para fazer o caminho inverso. “É nossa responsabilidade criar estruturas e caminhos para feedback e apresentar um caminho otimista”, diz ele.

 

Esse sentimento é ecoado em comentários por escrito que pesquisa aferiu. Um dos entrevistados diz que “mensagens de liderança inconsistentes ou contraditórias” e “falta de valorização da opinião dos clínicos da linha de frente” são fatores que não favorecem o engajamento.

 

Swensen diz que corrigir esse panorama provavelmente será mais fácil para organizações com a maioria dos médicos empregados (em vez de afiliados). Ele também acredita que há uma diferença entre o nível de envolvimento dos médicos em relação aos enfermeiros e outros profissionais da área assistencial, que tendem a se afastar ainda mais dos papéis de liderança.

 

“ Quanto mais camadas existirem entre as lideranças assistenciais e aqueles que tomam decisões importantes em relação ao planejamento e organização dos cuidados, mais cinismo e desengajamento você (gestor) experimentará”, diz Chokshi. O foco da saúde é o paciente, mas há muitas coisas a serem organizadas antes para melhorar a entrega dos serviços. “O atendimento ao paciente deve ser a principal motivação para as organizações mudarem rapidamente”, salienta.

 

Fonte: Setor Saúde

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