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O sistema de saúde vai ser redesenhado pela experiência do usuário

“Em 2019, teremos cerca de 40 mil aplicativos para as áreas de saúde e bem estar. Vamos vivenciar um verdadeiro tsunami, que está apenas chegando. Com muitas transformações. Como estão as organizações de vocês para aceitar essas novas tecnologias?”, provocou o CEO e fundador do aplicativo Dr Rafael, Salvador Gullo Neto, que apresentou Aplicativos Inovadores Gerando Melhores Experiências para os Pacientes, terceira palestra do Seminários de Gestão: Inovação, Novas Tecnologias e Gestão Disruptiva. O evento é organizado pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL), com as participações do SINDIHOSPA e Associação dos Hospitais do RS (AHRGS). A atividade evento ocorreu no dia 2 de agosto, em Porto Alegre.

O patrocínio desta edição foi do Banrisul; dos laboratórios farmacêuticos AstraZeneca, Astellas, Bristol-Myers Squibb e MSD; e da Unimed Porto Alegre. A certificação foi concedida pela faculdade Fasaúde/IAHCS, e os apoiadores foram IAHCS Acreditação, CBEXs e portal Setor Saúde.

Esta é a terceira matéria da série especial com conteúdos abordados no Seminários de Gestão. Leia as matérias anteriores: Genômica saiu da descoberta dos laboratórios e já está presente na assistência médica, com Dirce Carraro, líder do Laboratório de Biologia Molecular e Genômica do hospital A.C.Camargo Cancer Center, de São Paulo; BioHub PUCRS e as oportunidades no campo da Inovação em Saúde, com Carlos Klein, líder do projeto BioHub PUC-RS.

Robô

A palestra de Salvador Gullo foi apresentada com o apoio de um robô no palco (foto principal). O conteúdo foi transmitido ao vivo diretamente dos Estados Unidos, país onde o palestrante cursa pós-doutorado na área de segurança do paciente com o uso de tecnologias exponenciais como ferramentas de apoio, na San Diego State University (Califórnia, EUA). O robô, que é utilizado em reuniões da equipe do Dr Rafael App com hospitais e pacientes, também possibilitou a interação do público com Gullo, durante o intervalo do evento.

 

Saúde 4.0

“As ferramentas da Saúde 4.0 vão redesenhar o sistema pela experiência do usuário”, destacou Gullo, para quem as transformações já ocorreram em outros setores, e que os aplicativos são as ferramentas mais populares da Indústria 4.0. “A Airbnb, TripAdvisor, Uber, Nubank, o que elas têm em comum, além da tecnologia? Eles fizeram coisas diferentes nos seus setores, porque a experiência dos usuários mudou”, explicou.

Entretanto, o palestrante ressaltou que os aplicativos da área da saúde ainda não são tão impactantes quantos os de outra área. Para explicar essa realidade, ele conceituou os 6Ds do crescimento exponencial, elaborada pelo empreendedor Peter Diamandis, em suas seis fases:

Digitalização

Decepção

Disrupção (onde inicia o crescimento exponencial)

Desmaterialização

Desmonetização

Democratização

De acordo com Gullo, as novidades na área da saúde ainda estão na fase de DECEPÇÃO: em que a nova tecnologia e mercado parecem não estar evoluindo como o esperado, com indicadores tímidos que podem não demonstrar o novo mercado que está prestes a surgir. É exatamente nesta fase – que demora a apresentar resultados – a qual as empresas inovadoras e os empreendedores precisam terem mais paciência.

Porém, o palestrante salientou que as novidades estão evoluindo, e logo estarão no ponto de disrupção – quando a tecnologia emergente tem a capacidade de criar um mercado inteiramente novo, como foi feito pela Netflix na indústria de entretenimento audiovisual, por exemplo.

“Todos os mercados começaram antes da saúde, que é uma área mais conservadora. O que temos é um grande número de aplicativos que estão no estágio da decepção. Porém, já estão chegando na curva de exponencialidade, para a disrupção”, frisou, apontando que são projetados 40 mil aplicativos de saúde e bem estar para 2019, e que a transformação já está acontecendo nas organizações de saúde.

 

Para ilustrar que, apesar de estar em um estágio menos avançado que outros mercados, as inovações tecnológicas da saúde já estão se destacando, Gullo apresentou exemplos de iniciativas que estão impactando o setor norte-americano e no Brasil, principalmente em relação aos engajamento e troca de informações.

EUA

Yelp: possui site e aplicativos voltados à avaliação dos mais diversos serviços, sendo muito utilizado nos EUA, também na avaliação de hospitais). 

Ease: o EASE é composto por dois aplicativos. O primeiro, EASE MD, é destinado aos médicos para enviar as informações do atendimento aos pacientes a seus familiares – como por exemplo, durante uma cirurgia. O outro é utilizado para pacientes e suas famílias receberam as informações e completarem suas pesquisas de satisfação).

AHRQ QuestionBuilder App: disponibilizado pela Agência de Investigação de Saúde e Qualidade (AHRQ), do governo dos EUA, define uma lista de verificação – checklist – através de algorítimos para ações a serem executadas em um determinado ambiente clínico. Na prática, auxilia profissionais da saúde e pacientes para preparar o atendimento, com perguntas mais adequadas visando otimizar o tempo. O aplicativo pode ser usado para qualquer tipo de consulta médica. Sugere perguntas para ajudar os usuários a falar sobre um problema de saúde, sobre medicamentos, exames médicos e cirurgias.

 

BRASIL

Canguru: acompanhar o pré-natal e toda a jornada da maternidade, como a gestação e os primeiros sintomas, evolução do bebê, primeira contração, ao pensar em nomes de bebê, escolha de maternidade. Oferece ainda uma rede social de gestantes, agenda de exames, consultas e vacinas e dicas e informações. Acesse.

Tummi, para pacientes oncológicos. Ajuda com lembretes sobre medicamentos que devem ser tomados, indicação de leituras (conteúdo) e músicas para relaxar.

Checklist e eventos adversos

Gullo apontou que as mortes por eventos adversos são um dos grandes problemas da saúde. Ele também apontou o impacto do alto custo, crescente cada vez mais. “Pelos números da ANS, sabemos que 30% dos custos em saúde suplementar foi atribuído à insegurança assistencial hospitalar”, disse.

De acordo com o palestrante, ao contrário da saúde, as indústrias conseguiram mitigar os riscos com mais sucesso. Gullo salientou que todas as áreas possuem uma forte cultura de aderência aos protocolos de segurança, pois sabem que muitas falhas podem ser fatais. “Porém, na saúde, isso não acontece, porque o paciente não está envolvido neste processo. Se nós, profissionais da saúde, não fizermos o checklist, não acontecerá nada conosco, mas nossos pacientes poderão morrer” disse. Foi pensando nisso que nasceu o Dr Rafael, explicou o palestrante.

 

O aplicativo Dr Rafael

Gullo apresentou o aplicativo Dr Rafael, do qual é CEO. O aplicativo, que tem como foco a segurança do paciente, auxilia os pacientes a serem protagonistas dos seus cuidados durante a internação hospitalar, em uma ferramenta colaborativa, que os conectam com os profissionais de saúde envolvidos no cuidado.

“O nosso aplicativo é basicamente um game que, num formato de storytelling, permite que os pacientes, familiares e amigos chequem se os profissionais de saúde estão fazendo os protocolos de segurança, como risco de queda, cirurgia segura, lavagem das mãos. Chamamos isso de experiência do paciente em tempo real (Real Time Patient Experience)”, salientou.

O aplicativo é baseado nas seis metas de segurança definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): identificação correta do paciente; comunicação efetiva; melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilância; cirurgia segura; redução do risco de infecção associados aos cuidados de saúde; e prevenção de danos decorrente de quedas.

“Na medida em que o paciente vai jogando nosso game, vai lendo nosso storytelling, ele vai se empoderando dessas informações, tornando a sua hospitalização mais segura, e vai gerando uma série de dados que vamos coletando, para estruturarmos as nossas análises a respeito dos hospitais, apoiar a gestão dos hospitais e realizar o desenvolvimento de lideranças”, explicou.

O impacto de novos aplicativos na experiência dos pacientes, o funcionamento e as seis metas de segurança do Dr Rafael App e a os cases de implantação do aplicativo em hospitais foram abordados em entrevista realizada pelo portal Setor Saúde com o palestrante, com a Diretora de Comunicação e Design do Dr Rafael App, Caroline Souto, e com o Diretor Médico do aplicativo, Luciano Vitola. Confira.

 

Perspectivas para o futuro

“Nossa visão de futuro é que possamos ser um Waze da saúde, em que todos os usuários do mundo estejam informando as questões de segurança dos pacientes, em amplo compartilhamento”, disse. “Com o Dr Rafael, queremos impactar a saúde reduzindo os eventos adversos”, ressaltou.

O palestrante enfatizou que a Saúde 4.0 é um caminho sem volta, ressaltando a importância das organizações de saúde estarem abertas aos novos conceitos, o que facilitará a sua adoção. “Estarão em vantagem os capazes de se adaptar mais rapidamente às mudanças”, definiu. “Na minha opinião, temos que entender que a maior força da Saúde 4.0 não está na tecnologia, mas na voz do paciente. É a experiência do usuários que irá fazer a transformação do sistema”, finalizou.

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